Reconhecida por sua atuação pioneira desde a década de 1960, Maria Nazareno Cordeiro Garcia deixa um legado de humanidade e serviço que moldou a história da saúde pública no sul do Tocantins
Dona Cani faleceu na última quinta-feira, 9 de julho, em Gurupi, cidade que escolheu para fincar raízes e construir sua história. Viúva de Ismael Garcia, ela foi a matriarca de uma família profundamente ligada à medicina e ao bem-estar social, sendo mãe do médico obstetra e ginecologista Dr. Iury Garcia, além de Iulha, Illa e Iuryvam (in memoriam). Seu legado familiar estende-se agora por 11 netos e 12 bisnetos, que carregam o exemplo de uma vida dedicada ao próximo.
A história de Maria Nazareno confunde-se com a própria ocupação do interior brasileiro no século XX. Ao chegar à região sul do antigo norte goiano — hoje Tocantins — em meados dos anos 1960, ela encontrou um cenário de extrema escassez, sem hospitais ou médicos diplomados. Diante desse vazio, Dona Cani tornou-se a referência para atendimentos de urgência, realizando partos comunitários, suturas e curativos básicos de forma voluntária e domiciliar. Sua atuação foi o pilar que permitiu a fixação de diversas famílias na região, servindo como um amortecedor social em um período de infraestrutura precária.
O reconhecimento oficial de sua importância veio em 2017, quando a Câmara Municipal de Gurupi aprovou uma Moção de Aplausos destacando seu impacto no crescimento demográfico e na estruturação da saúde comunitária. Mais do que um registro biográfico, a vida de Dona Cani exemplifica como a dedicação individual pode estabelecer as fundações para sistemas de saúde formais.
Até o momento, a causa do óbito não foi divulgada oficialmente, e o sepultamento ocorre no município de Gurupi. A cidade se despede não apenas de uma pioneira, mas de uma profissional cuja biografia é parte indissociável da memória e da identidade da saúde pública tocantinense.