A Brutalidade que Abala a Aldeia e Exige Respostas
A noite do último sábado (6) na Aldeia Canuanã, em Formoso do Araguaia, foi marcada por um ato de extrema violência contra Harenaki Javaé, uma jovem indígena de 18 anos. O crime, que está sendo investigado como feminicídio, expõe a crueldade da violência que atinge mulheres indígenas no Brasil. Segundo informações da Polícia Militar, o assassinato ocorreu durante um festejo na região, e o corpo da vítima foi localizado após uma denúncia anônima de uma enfermeira. Harenaki era moradora da Aldeia São João, ambas localizadas na Ilha do Bananal.
O corpo de Harenaki, que possuía deficiência intelectual e estava grávida, foi encontrado no domingo, 7, com evidentes sinais de violência e parcialmente queimado. A descoberta ocorreu em uma área rural a cerca de 60 km de Formoso do Araguaia. Harenaki pertencia à Aldeia São João, situada na Ilha do Bananal, reconhecida como a maior ilha fluvial do mundo e um território tradicional indígena.
Ao chegarem ao local, as autoridades policiais confirmaram o óbito e identificaram a vítima. O Instituto Médico Legal (IML) de Gurupi foi acionado para a remoção do corpo. Embora a motivação do crime ainda não tenha sido oficialmente confirmada, a principal linha de investigação aponta para feminicídio.
A notícia da morte brutal de Harenaki gerou profunda comoção e revolta no Tocantins. Lideranças indígenas e instituições públicas manifestaram veementemente seu pesar e repúdio. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) emitiu um comunicado oficial condenando o ato e reafirmando seu compromisso com os direitos das mulheres indígenas.
A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, expressou sua dor nas redes sociais, lamentando o ocorrido e solidarizando-se com os familiares. Ela enfatizou a necessidade de combate à violência de gênero e exigiu uma investigação imediata do caso.
Na segunda-feira (8), um suspeito chegou a ser detido, mas foi liberado posteriormente por falta de provas. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o caso tramita em sigilo, e detalhes adicionais não serão divulgados.
O Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) também lamentou o crime e prestou solidariedade aos familiares. A Articulação dos Povos Indígenas do Tocantins (ARPIT) e o Instituto de Caciques e Povos Indígenas da Ilha do Bananal (Icapib) divulgaram notas de repúdio, clamando por uma apuração célere e rigorosa.
Organizações como a União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira (Umiab), a Coordenação Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e a Associação Indígenas do Vale do Araguaia (Asiva) expressaram profunda dor e indignação diante do assassinato. A Arpit, em especial, destacou nas redes sociais que o crime reflete a dura realidade da violência enfrentada por mulheres e jovens indígenas em seus territórios, reiterando que é inaceitável que suas vidas, dignidade e direitos continuem ameaçados.
Este trágico evento levanta sérias questões sobre a segurança e os direitos das comunidades indígenas no Tocantins, exigindo atenção e ação urgentes para garantir justiça para Harenaki Javaé e prevenir futuras atrocidades.