Entre o brilho técnico e as falhas defensivas, o Rubro-Negro vê o São Paulo garantir os três pontos em casa sob protestos contra a arbitragem.
O Flamengo iniciou a partida ditando as regras no Morumbis. Com uma postura agressiva, o time comandado por Filipe Luís encurralou os donos da casa, registrando expressivos 68% de posse de bola na primeira etapa. A grande oportunidade de abrir o placar surgiu aos 13 minutos: Cebolinha, motor do ataque carioca, serviu Carrascal com precisão, mas o meia desperdiçou a chance clara diante de Rafael. O São Paulo tentava responder nas brechas deixadas, principalmente com Luciano, mas era o Rubro-Negro quem empilhava finalizações — oito contra apenas três do time paulista antes do intervalo.
No entanto, nem tudo foi harmonia no lado visitante. O atacante Gonzalo Plata viveu um primeiro tempo difícil, acumulando erros técnicos que renderam cobranças ríspidas de Filipe Luís à beira do gramado. A redenção do equatoriano veio após o intervalo. Aos nove minutos da etapa final, o Flamengo desenhou uma jogada coletiva de pé em pé: Alex Sandro cruzou, Pedro escorou com categoria e Plata, com um toque sutil, balançou as redes. O gol coroou um momento de superioridade que ainda contou com as estreias sazonais de Arrascaeta e Jorginho.
A festa rubro-negra, contudo, foi interrompida pela eficiência aérea tricolor. Dez minutos após o gol inaugural, Luciano subiu mais que Léo Pereira para empatar, anotando seu oitavo gol no histórico do confronto. O balde de água fria definitivo veio aos 25: em cruzamento de Marcos Antônio, Pulgar falhou na interceptação e a bola sobrou limpa para Danielzinho virar o marcador. A partir dali, o São Paulo recuou, montando um ferrolho defensivo para suportar o abafa final.
Os instantes finais foram de puro nervosismo. Plata e Arrascaeta tiveram chances de ouro para empatar, mas a pontaria falhou. O lance capital ocorreu nos acréscimos, quando o uruguaio caiu na área após dividida com Arboleda. O árbitro Wilton Pereira Sampaio mandou o jogo seguir, decisão que gerou uma revolta generalizada nos jogadores do Flamengo e resultou na expulsão de Jorginho por reclamação.
Após o apito final, o clima esquentou. Enquanto Jorginho disparava críticas contra a arbitragem brasileira, classificando a atuação do juiz como “incrível” em tom de desabafo, o herói são-paulino Luciano reconhecia a qualidade do adversário. Para o atacante tricolor, vencer “a melhor equipe do Brasil” exigiu um espírito de luta que prevaleceu sobre a técnica apurada do rival.