Investigação da Polícia Federal aponta “operador financeiro” do governador em esquema de cestas básicas
A Polícia Federal aprofundou a investigação sobre supostos desvios de dinheiro público no Tocantins, apontando Marcus Vinícius Santana como figura central na operação financeira do esquema investigado. Segundo as apurações, Santana atuava como o “operador financeiro” do governador Wanderlei Barbosa, encarregado de movimentar valores ilícitos oriundos da compra de cestas básicas durante o período de pandemia.
Fotografias obtidas pela investigação flagraram Santana com maços de dinheiro, o que reforça as suspeitas sobre sua participação no esquema. Em conversas interceptadas, outros envolvidos se referiam às propinas como “bênção”, em um código que visava dissimular a natureza criminosa das transações.
As evidências, que incluem as imagens e os diálogos, foram apresentadas na decisão do ministro Mauro Campbell, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Foi com base nessas informações que o STJ determinou o afastamento do governador Wanderlei Barbosa e da primeira-dama, Karynne Sotero, como parte da segunda fase da Operação Fames-19.
A investigação centraliza-se em contratos firmados para a aquisição de cestas básicas e frangos congelados durante a pandemia. A Polícia Federal suspeita que empresas de fachada foram contratadas e que parte significativa dos produtos não chegou a ser entregue à população. O prejuízo estimado para os cofres públicos, conforme as apurações, ultrapassa a marca de R$ 73 milhões.
Um dos elementos cruciais na investigação é uma imagem que mostra Marcus Vinícius Santana, filho de Taciano Darcles, ex-assessor especial do governador, portando uma bolsa abarrotada de notas de R$ 50, R$ 100 e R$ 200. O ministro Campbell, em sua decisão, destacou o papel de Santana como “operador financeiro” do governador.
O relatório da investigação também detalha que o dinheiro movimentado por Santana seria destinado ao “pagamento das propinas ao governador do Estado e aos demais agentes envolvidos” no esquema. Além disso, denúncias apontam que os valores desviados também teriam sido utilizados para cobrir despesas pessoais do governador.
Documentos indicam que Marcus Santana seria o responsável por realizar transferências bancárias e saques de valores, que seriam posteriormente repassados a Taciano Darcles ou a Thiago Barbosa, sobrinho do governador. Estes, por sua vez, teriam a função de entregar o dinheiro em espécie aos demais envolvidos, incluindo o próprio governador.
Em nota, a defesa de Thiago Barbosa declarou que o nome de seu cliente foi incluído na decisão por “absoluto equívoco”, pois ele não seria investigado na Operação Fames-19 nem alvo de medidas cautelares. A defesa informou ainda que já está tomando as providências necessárias para que o nome de Thiago Barbosa seja excluído das investigações.
A defesa de Thiago Barbosa emitiu um comunicado afirmando que a inclusão de seu nome na decisão ocorreu por um “absoluto equívoco”. Segundo a defesa, Thiago não é investigado na Operação Fames-19 e não foi objeto de medidas cautelares. A defesa já iniciou os procedimentos para solicitar a exclusão de seu nome das investigações.