Prefeitura de Gurupi acata liminar judicial, mas mantém processo administrativo contra servidora após declarações polêmicas sobre inclusão escolar
A Prefeitura de Gurupi esclareceu, nesta terça-feira (21), que a volta da professora Carla Martins de Barros ao comando da Escola Municipal Odair Lúcio não foi uma escolha da gestão, mas sim o cumprimento de uma ordem judicial. A diretora havia sido afastada em março, logo após a viralização de um vídeo no qual ela minimizava o autismo, referindo-se à condição como um “transtorno da moda”. A declaração provocou forte reação de pais, educadores e entidades de defesa dos direitos das pessoas com deficiência.
De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, a servidora chegou a solicitar administrativamente o seu retorno ao cargo após um período de afastamento voluntário. No entanto, o Paço Municipal indeferiu o pedido, fundamentando a negativa na gravidade das declarações e na instabilidade gerada no ambiente escolar. Diante da recusa da prefeitura, a defesa da diretora recorreu ao Judiciário, obtendo uma liminar favorável expedida pelo juiz Nassib Cleto Mamud, da 1ª Vara da Fazenda e Registros Públicos de Gurupi.
Na decisão, que possui caráter provisório, o magistrado autorizou que a servidora retome suas funções eleitas. Vale ressaltar que o juiz Nassib Cleto Mamud protagonizou recentemente outra decisão de repercussão no estado, ao ordenar a remoção de críticas do Conselho Regional de Medicina (CRM-TO) sobre o curso de Medicina da UnirG, medida que foi posteriormente derrubada pelo Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO).
Apesar do retorno forçado pela Justiça, a Prefeitura de Gurupi enfatizou que o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) instaurado contra Carla Martins continua em pleno vigor. O município reforçou que a investigação interna seguirá os ritos legais, garantindo o direito à ampla defesa, mas com o objetivo de avaliar se a postura da educadora condiz com as diretrizes da rede municipal de ensino.
Em nota oficial, a administração municipal reiterou seu posicionamento institucional favorável à educação inclusiva. O texto sublinha o compromisso da cidade com o respeito absoluto às crianças com TEA e afirma que a transparência e a ética no serviço público permanecem como prioridades, independentemente dos desdobramentos jurídicos do caso.