Diante de plano de desativação motivado por deficit bilionário na estatal, lideranças tocantinenses articulam audiência em Brasília para reverter o encerramento previsto para novembro
Em reunião realizada nesta terça-feira, 20 de outubro, a prefeita de Gurupi, Josi Nunes, recebeu dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios no Tocantins (Sintect-TO) para definir estratégias conjuntas contra o encerramento das atividades da unidade local. O encontro contou com a presença da presidente da entidade, Ana Patrícia Fernandes Maciel, do vice-presidente Marcivaldo Francisco de Sousa e de servidoras da própria agência. Diante da urgência do cenário, a gestão municipal contatou por telefone a senadora Dorinha Seabra (União Brasil), solicitando sua intervenção junto à direção nacional da estatal, em Brasília, para buscar a revisão da decisão.
A principal contestação apresentada pelo segmento sindical apoia-se nos próprios critérios técnicos definidos pela direção central da empresa para o encerramento de agências[6][7]. Segundo o plano da estatal, o encerramento atinge locais instalados em imóveis alugados sem contrato formal, agências sem funcionários lotados ou prédios com ordem de despejo e solicitação de devolução pelo proprietário. A representação dos trabalhadores argumenta que a unidade de Gurupi não se enquadra em nenhuma dessas situações, o que torna injustificável a inclusão do município na lista de desativação. Para formalizar o pedido de reconsideração, lideranças políticas e sindicais preparam uma audiência com a cúpula dos Correios na capital federal.
A ameaça de fechamento em Gurupi insere-se em um plano amplo de cortes no estado. Embora a proposta inicial previsse o encerramento de 10 unidades no Tocantins, a superintendência regional estendeu o plano para até 50 agências, sendo que diversas unidades já tiveram suas atividades desativadas. A senadora Dorinha Seabra reforçou preocupação com a medida, ressaltando o papel estratégico do município como polo da região Sul tocantinense. A parlamentar enfatizou que, além das atribuições postais e logísticas, a agência atua como ponto de apoio social e de cidadania, auxiliando no acesso a serviços bancários básicos e benefícios para a população de menor renda.
A onda de desativações físicas decorre de uma severa crise financeira na estatal, que acumula um rombo entre R$ 5,55 bilhões e R$ 5,6 bilhões, somando 16 trimestres consecutivos de resultado negativo, após registrar prejuízo de R$ 8,5 bilhões no exercício de 2025. Contudo, a mobilização regional alerta que a busca pela redução de custos operacionais transfere prejuízos diretamente ao setor produtivo e aos moradores. Sendo Gurupi um centro econômico regional, a perda da agência central tende a encarecer o envio de encomendas por microempresários locais e restringir a oferta de serviços públicos essenciais.
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