Saúde

Tocantins se une à Marcha da Enfermagem em Brasília por Valorização e Jornada de 30 Horas

Com o objetivo de encerrar um hiato de três anos sem reajustes, enfermeiros, técnicos e auxiliares de todo o país preparam uma grande mobilização na capital federal. O foco está na garantia de um piso salarial digno vinculado à jornada de 30 horas semanais e na criação de um mecanismo de correção automática contra a inflação, espelhando conquistas recentes de outras categorias do funcionalismo público.

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Foto: Divulgação

Coren-TO mobiliza profissionais para pressionar aprovação da PEC 19 e garantir recomposição salarial diante de defasagem de 22%.

O Conselho Regional de Enfermagem do Tocantins (Coren-TO) confirmou a participação ativa de seus conselheiros e profissionais na Marcha da Enfermagem, agendada para o dia 17 de março, em Brasília. O movimento, encabeçado pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), busca sensibilizar o Congresso Nacional para a urgência da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 19. O texto propõe uma mudança estrutural: estabelece que o piso salarial da categoria seja atrelado a uma carga horária máxima de 30 horas semanais e prevê uma atualização anual obrigatória, impedindo que o poder de compra dos trabalhadores seja corroído pela inflação.

A urgência da pauta é acentuada pelo atual cenário econômico da categoria. Segundo dados do Coren, os profissionais enfrentam uma defasagem real de quase 22% em relação aos índices inflacionários, resultado de três anos de estagnação salarial. O presidente do Coren-TO, Adeilson Reis, ressaltou que a autarquia está organizando uma série de audiências estratégicas com a bancada de senadores do estado para garantir apoio político à proposta. Para Reis, a união de forças é o único caminho para assegurar que a jornada de 30 horas e a valorização financeira deixem de ser promessas e se tornem direitos constitucionais.

O debate ganha fôlego após o governo federal anunciar, via Medida Provisória, o reajuste de 5,4% para o piso do magistério em 2026, elevando os vencimentos dos professores para R$ 5.130,63. Para as lideranças da enfermagem, a medida aplicada aos docentes serve como exemplo de que a vontade política pode viabilizar a recomposição salarial. O sistema Cofen/Conselhos Regionais defende que a enfermagem, composta por mais de 2,8 milhões de profissionais, necessita de mecanismos automáticos de correção semelhantes para manter a sustentabilidade da assistência à saúde no Brasil.

A expectativa é que a mobilização em Brasília funcione como um divisor de águas no primeiro semestre de 2026. Além do apoio de sindicatos e instituições de ensino, a marcha pretende demonstrar a coesão de uma classe que é o pilar do Sistema Único de Saúde (SUS). Para o Cofen, o momento é de construção de um consenso político que reconheça a complexidade técnica da profissão, garantindo que a valorização profissional vá além de homenagens e se reflita efetivamente no contracheque e na qualidade de vida dos trabalhadores.

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