Justiça

Regras atuais já garantem ética de ministros, aponta estudo de Gilmar Mendes

Em resposta às recentes pressões por maior regulamentação na Suprema Corte, um levantamento técnico conduzido pelo ministro Gilmar Mendes conclui que o ordenamento jurídico brasileiro já possui mecanismos robustos para fiscalizar a conduta dos magistrados. O documento argumenta que a proposta de um novo código específico, anunciada pelo presidente do STF, Edson Fachin, ignora normas vigentes que já garantem a imparcialidade e a integridade do Judiciário.

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Foto: Divulgação

Levantamento do decano do STF contesta necessidade de novo código de conduta, defendendo que legislação brasileira é mais rigorosa que a alemã em diversos pontos.

O estudo elaborado pelo ministro Gilmar Mendes surge como um contraponto à iniciativa da presidência da Corte, inspirada no modelo alemão. Segundo a análise, não há um “vácuo jurídico” que justifique a criação de novas regras. O levantamento demonstra que o Código de Processo Civil, o Código de Processo Penal e a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) já estabelecem diretrizes claras sobre impedimentos, suspeições e o dever de manter uma conduta pública e privada irrepreensível.

Ao comparar o cenário nacional com o Código de Conduta da Corte Constitucional da Alemanha, o decano destaca que o Brasil adota, em muitos casos, parâmetros ainda mais severos. No que diz respeito ao recebimento de presentes, por exemplo, a Constituição Federal e o Conselho Nacional de Justiça impõem proibições expressas, enquanto a norma alemã permite certas exceções desde que não comprometam a integridade do julgador. O documento também reforça a eficácia da “quarentena” de três anos, que impede magistrados aposentados de advogar no tribunal de origem.

Um dos pontos de maior sensibilidade abordados no levantamento refere-se à participação de ministros em eventos e palestras. O estudo aponta que a dedicação exclusiva e o exercício do magistério como única atividade paralela permitida já restringem a agenda dos juízes. Entretanto, Gilmar Mendes reconhece uma lacuna em relação ao modelo alemão: a ausência de uma norma que obrigue a divulgação dos valores recebidos por essas atividades acadêmicas no Brasil.

A conclusão do levantamento é de que as leis atuais são suficientes para preservar a dignidade da magistratura e a confiança da sociedade. Para o ministro, o rigor das normas já estabelecidas assegura a independência funcional necessária, tornando desnecessária a sobreposição de novos regramentos para solucionar questões que o direito brasileiro já disciplina com clareza.

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