Opinião

“O Fim da ‘Santa Trindade’ Financeira no Brasil com o Retrocesso do DREX: O Abandono da Vanguarda Global”

Artigo de Opinião
Por Jenilson de Cirqueira, Alexandre Orion Reginato, Diego Avelino Milhomens Nogueira,
Thiago Henrique Nascimento Costa, Juliana Passarin, Uemerson de Oliveira Coelho,
Joseane Maria da Silva e Lara Ferreira Santos Monte Amorim
Publicado em Novembro de 2025

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Foto: Divulgação

O Brasil passou os últimos cinco anos construindo o que o mundo aprendeu a chamar de “o milagre financeiro dos trópicos”. Não foi sorte, nem acaso. Foi uma arquitetura deliberada, erguida sobre três pilares fundamentais que prometiam redesenhar a nossa economia: a agilidade do PIX, a inteligência de dados do Open Finance e a segurança contratual do DREX (o Real Digital). Juntos, eles formam a “Santíssima Trindade” do sistema financeiro nacional. Entretanto, a recente decisão do Banco Central do Brasil (BCB), neste mês de novembro de 2025, de desligar a plataforma DREX e descontinuar a sua Fase 3, adiando a implementação plena para 2026, não é apenas um “ajuste técnico”, como dizem as notas oficiais. É um banho de água fria na vanguarda tecnológica brasileira e um retrocesso estratégico que pode custar caro à soberania econômica do país.

A Tríade Interrompida

Para entender a gravidade dessa interrupção, é preciso olhar para o que estava em jogo. O PIX já digitalizou o dinheiro do dia a dia; o Open Finance já começou a dar poder ao consumidor sobre seus dados. Mas faltava a peça final. O DREX não veio para substituir o PIX, mas para fazer o que ele não faz: garantir a troca de ativos (imóveis, veículos, títulos públicos) com segurança matemática, eliminando intermediários e custos. Estudos indicam que a implementação plena do DREX, operando em harmonia com o Open Finance, teria o potencial de reduzir os custos de crédito e operacionais em até 30%. Estamos falando de bilhões de reais em eficiência que deixariam de ser consumidos pela burocracia e ficariam no bolso das empresas e das famílias brasileiras. Ao puxar a tomada da Fase 3 sob a justificativa de “desafios de escalabilidade”, o regulador não apenas adia uma tecnologia; ele adia o bem-estar financeiro de milhões.

Cortina de Fumaça ou Cautela Técnica?

A justificativa oficial de falhas técnicas na escalabilidade da blockchain soa insuficiente para quem acompanha os bastidores. O timing desta decisão — às vésperas de um ano eleitoral de 2026 — levanta suspeitas legítimas sobre motivações políticas e pressões de mercado. Existe um movimento silencioso, mas poderoso, que prefere ver o DREX na gaveta. O vácuo deixado pelo Real Digital público abre uma avenida para as stablecoins privadas e criptoativos que não respondem ao interesse público, mas sim aos lucros de seus emissores. Ao recuar no projeto estatal, o Brasil corre o risco de terceirizar sua infraestrutura de pagamentos futuros para entes privados, perdendo o controle sobre a política monetária digital.

O Custo Geopolítico

O impacto não é apenas doméstico. O Brasil vinha liderando a corrida das CBDCs (Moedas Digitais de Banco Central) dentro do bloco dos BRICS e servindo de referência para economias desenvolvidas. Enquanto a China avança com seu e-CNY e a Europa discute o Euro Digital, o Brasil sinaliza fraqueza. Descontinuar a Fase 3 agora enfraquece nossa posição diplomática e comercial. Estávamos prestes a exportar não apenas commodities, mas infraestrutura de mercado. O recuo nos coloca de volta na posição de seguidores de tendências, jogando fora o capital político conquistado com o sucesso estrondoso do PIX.

É Hora de Retomar a Vanguarda

A inovação financeira não pode ser refém do calendário eleitoral ou de lobbies que temem a eficiência. A “Santíssima Trindade” financeira precisa ser completada. O PIX e o Open Finance são pernas de um tripé que não fica de pé sem o DREX. Nós, autores e pesquisadores, alertamos: a interrupção da Fase 3 não é prudência, é paralisia. O Brasil provou que sabe fazer o futuro acontecer antes dos outros. Aceitar esse retrocesso é aceitar que o nosso “voo de galinha” tecnológico chegou ao fim, justamente quando estávamos prestes a voar em altitude de cruzeiro. A sociedade brasileira, o mercado produtivo e a academia devem exigir a retomada imediata do projeto, com a transparência e a ousadia que nos trouxeram até aqui.

Referências Bibliográficas:

  1. DE CIRQUEIRA, Jenilson et al. A INTERRUPÇÃO DA TRÍADE FINANCEIRA: O FIM DA FASE 3
    DO DREX E O RETROCESSO NA VANGUARDA BRASILEIRA SOBRE AS FINANÇAS GLOBAIS.

    ARACÊ – Direitos Humanos em Revista, v. 7, n. 11, p. e10132, 2025. Disponível em:
    https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/10132.
  2. DE CIRQUEIRA, Jenilson et al. A INTERRUPÇÃO DA TRÍADE FINANCEIRA: O FIM DA FASE 3
    DO DREX E O RETROCESSO NA VANGUARDA BRASILEIRA SOBRE AS FINANÇAS GLOBAIS.

    Anais do VIII Seven International Multidisciplinary Congress. Seven Publicações, 2025.
    Disponível em: https://sevenpubl.com.br/anais7/article/view/8506.

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