Economia

Travessia Araguaia: Uma Odisseia de Concreto e Burocracia

A tão aguardada ponte que conectará São Geraldo do Araguaia (PA) a Xambioá (TO), prometida como um divisor de águas para o escoamento agrícola do Matopiba, continua sendo um desafio. A obra, que deveria desafogar o trânsito de balsas e impulsionar a economia regional, tem sido palco de atrasos, estouros de orçamento e, mais recentemente, de desinformação.

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Foto: Divulgação

Uma saga que se arrasta por governos e décadas, a construção da ponte sobre o Rio Araguaia, vital para o escoamento da produção do Matopiba, revela-se um labirinto de entraves burocráticos e promessas não cumpridas, apesar das alegações de conclusão.

Concebida em 2017 com um orçamento inicial de R$ 132 milhões, a construção só viu a luz do dia em abril de 2020, já com o custo revisado para R$ 157 milhões. A previsão de entrega, setembro de 2022, não se concretizou, e o valor da obra escalou para R$ 193,1 milhões. Imagens de satélite e visitas governamentais em 2022 mostravam a ponte ainda em estágios iniciais, com grande parte da estrutura por erguer.

Recentemente, informações falsas circularam nas redes sociais, sugerindo que a obra estaria paralisada há três anos, período correspondente ao atual governo, e que a ponte teria sido quase concluída na gestão anterior. No entanto, documentos oficiais do próprio governo Bolsonaro de 2022 indicavam que apenas 70% da obra estava finalizada em agosto daquele ano, com a parte central ainda sem pista. Em dezembro, embora a infraestrutura submersa estivesse 100% pronta, a conclusão geral da ponte ainda patinava, com 93,93% dos pilares e travessas e 84,73% do trecho convencional executados. A ponte, portanto, estava longe de ser uma realidade ao término da gestão.

Sob a administração atual, os dados mais recentes do DNIT (2024) apontam que 99,16% da estrutura física da ponte está construída. Contudo, a travessia permanece impossibilitada pela falta de conclusão dos acessos no lado paraense, o grande entrave atual. A Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) informa que a obra completa (estrutura e acessos) atingiu 87,2% de execução em 2024.

O principal gargalo reside nas desapropriações de imóveis no entorno dos acessos no Pará. O DNIT confirmou a contratação dos serviços de “encabeçamento” da ponte em 2023 e o prosseguimento dos processos de desapropriação por meio de audiências judiciais de conciliação. Enquanto no Tocantins essas audiências já foram finalizadas no primeiro semestre de 2025, no Pará, as primeiras estão agendadas para agosto de 2025. O DNIT reafirma seu compromisso de entregar a funcionalidade da ponte ainda em 2025.

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