Justiça

Decisão Judicial afasta Juiz do cargo em Gurupi

Um escândalo abala o Tribunal de Justiça do Tocantins com o afastamento de um juiz da Comarca de Gurupi, suspeito de beneficiar partes em um processo. A decisão, que pegou a comunidade jurídica de surpresa, levanta questionamentos sobre a integridade de casos de grande repercussão na região.

Publicado há

em

Foto: Divulgação

Juiz de Gurupi é afastado em meio a suspeitas de conduta imprópria

O juiz Adriano Morelli, que ocupa a cadeira da 1ª Vara Cível e de Recuperações Judiciais da Comarca de Gurupi, foi surpreendido com um afastamento temporário de 140 dias. A medida, imposta pelo pleno do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJ-TO) e formalizada pela presidente Maysa Vendramini Rosa no Diário da Justiça da última segunda-feira (21), decorre de indícios de favorecimento a determinadas partes em processos sob sua alçada.

A portaria que determinou o afastamento e o início da apuração do caso aponta que o juiz teria desconsiderado uma decisão colegiada de instância superior. Documentos analisados sugerem um possível benefício a indivíduos específicos, embora os detalhes sobre a natureza exata desse favorecimento não tenham sido divulgados publicamente.

Em resposta às acusações, o juiz Adriano Morelli enviou uma nota à imprensa, explicando que o processo administrativo em questão se refere a uma sentença proferida em 2023. Ele enfatizou que a situação “não guarda relação com qualquer outra ação que tramita pela vara a meu cargo” e negou veementemente a procedência das acusações. Morelli atribuiu o ocorrido a uma “divergência jurídica” entre a sua decisão e o entendimento da Câmara que analisou o recurso, expressando confiança de que o afastamento é um equívoco que “em breve será reparado”.

Curiosamente, o afastamento de Morelli acontece poucos meses após sua participação na recuperação judicial do Grupo Consentini. Esse caso, que envolve o renomado produtor rural João Batista Consentini, é notório por ser a maior recuperação judicial de pessoa física no Brasil, com dívidas que superam a marca de R$ 1 bilhão. A atuação do juiz nesse processo ganhou destaque nacional, especialmente após a nomeação do advogado Wilmar Ribeiro Filho como administrador judicial, com uma remuneração mensal de R$ 315 mil – um valor considerado excepcionalmente alto para os padrões locais, gerando discussões e questionamentos sobre a transparência e adequação dos honorários.

Deixe uma Resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Populares

Sair da versão mobile