Justiça

Deolane Bezerra presa: o novo capítulo do embate entre a influenciadora e o crime organizado

Em uma manhã marcada por sirenes e mandados judiciais, a advogada Deolane Bezerra voltou ao centro de um turbilhão policial nesta quinta-feira (21). Desta vez, a influenciadora é peça-chave na Operação Vérnix, deflagrada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil de São Paulo, que investiga um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). Com depósitos fracionados e empresas de fachada, o caso coloca Deolane no mesmo inquérito que Marco Herbas Camacho, o Marcola, líder máximo da facção, em uma trama que envolve milhões de reais e repercussão internacional.

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Foto: Divulgação

Operação Vérnix revela elos com a cúpula do PCC, bloqueia R$ 357 milhões e traz Deolane de volta às grades após retorno da Itália

A prisão preventiva de Deolane Bezerra representa o ápice da terceira fase de uma investigação iniciada em 2019, quando bilhetes interceptados na Penitenciária II de Presidente Venceslau revelaram a estrutura financeira do grupo criminoso. Deolane é suspeita de ter recebido mais de R$ 1 milhão por meio de um esquema elaborado para “maquiar” recursos ilícitos.

Além da influenciadora, a operação também mira o círculo íntimo de Marcola, incluindo seu irmão, Alejandro Camacho, sobrinhos e Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como o operador financeiro responsável por orientar a distribuição dos valores.

Segundo as autoridades, o mecanismo de lavagem de dinheiro funcionava por meio de uma transportadora de cargas utilizada como empresa de fachada para movimentar o capital da facção. A análise de celulares apreendidos indicou que Deolane teria recebido depósitos fracionados, técnica conhecida como smurfing, utilizada para burlar sistemas de controle financeiro e dificultar o rastreamento do dinheiro.

Além dos valores recebidos diretamente, cerca de R$ 716 mil teriam sido injetados em empresas ligadas à advogada sem qualquer comprovação de prestação de serviços, fato que levou a Justiça a determinar o bloqueio de aproximadamente R$ 27 milhões em bens e ativos vinculados ao nome da influenciadora.

No total, o impacto financeiro da Operação Vérnix soma R$ 357,5 milhões em bens bloqueados, além do sequestro de 39 veículos de luxo, avaliados em mais de R$ 8 milhões. A prisão ocorreu logo após o retorno de Deolane de uma viagem a Roma, na Itália. O nome da influenciadora chegou a constar na lista da Difusão Vermelha da Interpol antes de seu desembarque no Brasil, ocorrido na última quarta-feira (20).

Esta é a segunda vez que Deolane Bezerra é detida. Em 2024, ela permaneceu presa por cerca de 20 dias em Pernambuco, em decorrência de investigações relacionadas a jogos ilegais e lavagem de dinheiro.

A defesa da influenciadora, representada por sua irmã Daniele Bezerra, reagiu com indignação, classificando a ação como uma “perseguição” e criticando o que chamou de “Justiça espetáculo”. Em nota, Daniele afirmou que as acusações são baseadas em suposições e considerou grave a condenação pública antes da conclusão do devido processo legal.

Enquanto a família sustenta a narrativa de inocência, a Polícia Civil e o Ministério Público reforçam que o objetivo central da operação é desarticular o poder econômico do crime organizado por meio do bloqueio de ativos financeiros e da apreensão de bens de alto padrão.

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