A logística inédita da próxima Copa do Mundo traz inovação ao unir seis sedes, mas a exclusão do Chile e a escala reduzida na América do Sul geram indignação e debates sobre os critérios da FIFA.
Copa do Mundo de 2030 terá um cronograma sem precedentes, iniciando-se nos dias 8 e 9 de junho com cerimônias de celebração do centenário e as primeiras partidas de Uruguai, Argentina e Paraguai em seus próprios domínios. O Uruguai foi escolhido por ter sido a sede inaugural em 1930, a Argentina por ser a primeira vice-campeã e o Paraguai por abrigar a sede da Conmebol. Após esses confrontos iniciais, as seleções envolvidas terão um intervalo de 11 a 12 dias para viajar, descansar e se preparar para a segunda rodada em território europeu ou africano. As seis nações anfitriãs já possuem vaga garantida no torneio, que culminará na grande final em 21 de julho.
A maior controvérsia, contudo, reside na exclusão do Chile do projeto organizacional. O país fazia parte da candidatura conjunta original da Conmebol, mas foi deixado de lado pela FIFA sob a justificativa de que a inclusão de quatro países sul-americanos geraria um “desequilíbrio” em relação à candidatura principal de Espanha, Portugal e Marrocos. O presidente da federação chilena, Pablo Milad, classificou a decisão como um “duro golpe”, refletindo a frustração de uma nação que esperava fazer parte do jubileu de 100 anos do torneio. Críticos apontam que a decisão transformou a participação da América do Sul em um mero “prêmio de consolação”, priorizando interesses econômicos em detrimento da tradição histórica.
A escolha do eixo Espanha-Portugal-Marrocos consolidou-se após a candidatura tornar-se a única oficial, com Marrocos substituindo a Ucrânia devido a preocupações com a guerra e governança. O país africano foi valorizado por seus investimentos em infraestrutura e pelo desempenho histórico na Copa de 2022. Paralelamente, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, já sinaliza que o formato de 48 seleções pode ser expandido para 64 participantes para a edição de 2030, buscando incentivar o sonho de nações menores em participar do palco global, embora a decisão final ainda dependa de debates nos comitês da entidade.