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Justiça

Justiça Interdita Unidade Penal de Gurupi por Superlotação Extrema

Diante de um cenário onde a ocupação carcerária ultrapassa em 170% a capacidade projetada, a Justiça do Tocantins determinou a interdição parcial do presídio de Gurupi, proibindo o ingresso de novos detentos até que o excedente de 100 presos seja solucionado.

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Decisão atende a pedido do Ministério Público e impõe limite de ocupação para garantir segurança e direitos humanos no sistema prisional

O sistema prisional de Gurupi enfrenta um ponto de ruptura que mobilizou o Poder Judiciário nesta quinta-feira (19). Após uma ação movida pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO), foi decretada a interdição parcial da Unidade Penal da cidade. O local, que possui estrutura planejada para custodiar 130 internos, abriga atualmente cerca de 230 pessoas, configurando um estado de superlotação que inviabiliza a gestão segura e digna da unidade.

A sentença é imediata: a unidade está proibida de receber novos presos ou aceitar transferências de outras regiões enquanto o contingente não retornar ao teto de 130 vagas. Exceções a essa regra só serão admitidas sob justificativas rigorosas e autorização prévia do Juízo. A medida visa frear o agravamento de uma crise que, segundo as autoridades, coloca em risco não apenas os detentos, mas também os agentes penitenciários e a comunidade externa.

Cronograma de Intervenção e Multas

Além do bloqueio de novas entradas, o Governo do Estado do Tocantins recebeu um ultimato. Em um prazo de 60 dias, o Executivo deve apresentar um plano de ação emergencial que detalhe como a redução do número de presos será feita de forma progressiva. O plano precisa conter metas claras e prazos definíveis. O descumprimento de qualquer ponto da decisão judicial acarretará em uma multa diária fixada em R$ 5 mil.

Diagnóstico da Crise

A promotora de Justiça Luma Gomides, autora da Ação Civil Pública, reforçou que as falhas são estruturais. Relatórios de inspeções feitas entre 2025 e o início de 2026 revelaram um cenário degradante:

  • Falta de itens básicos de higiene e uniformes;
  • Escassez de colchões para os internos;
  • Déficit severo no quadro de servidores;
  • Necessidade de revezamento para o banho de sol devido ao excesso de contingente.

Os números de Gurupi assustam até mesmo pelos padrões técnicos nacionais. Enquanto o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP) aponta que uma ocupação de 137,5% já é um indicador de crise extrema, a unidade de Gurupi opera com mais de 170% de sua capacidade.

Segurança e Urgência

Ao conceder a tutela de urgência, o Judiciário destacou que a integridade física e psíquica dos custodiados está comprometida. A decisão enfatiza que manter o fluxo de entradas em uma unidade já superlotada renova diariamente o risco de rebeliões e insalubridade. A interdição, portanto, não é vista como uma punição ao sistema, mas como um mecanismo de proteção indispensável para evitar o colapso total da segurança pública na região sul do estado.

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Justiça

MPTO aciona UnirG e pede a anulação de mais de mil revalidações de diplomas médicos

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) ingressou com uma ação civil pública contra a Universidade de Gurupi (UnirG) e sua respectiva fundação, solicitando a suspensão imediata e a posterior anulação de todos os atos de revalidação de diplomas estrangeiros de Medicina emitidos pela instituição desde março de 2025. A medida fundamenta-se em graves indícios de irregularidades que afrontam a legislação federal, incluindo a utilização de métodos de avaliação já extintos e a ausência de transparência na condução dos processos administrativos.

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Ação judicial aponta descumprimento de normas federais, falta de habilitação técnica da universidade e uso de sistema de revalidação simplificada proibido desde março de 2025.

A promotora de Justiça Luma Gomides de Souza, titular da 3ª Promotoria de Justiça de Gurupi, sustenta que a UnirG manteve um modelo próprio de revalidação simplificada mesmo após a entrada em vigor da Resolução CNE/CES nº 2/2024. Esta normativa estabeleceu que, a partir de 3 de março de 2025, a aprovação no Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida), gerido pelo Inep, passaria a ser a única via válida para o reconhecimento de diplomas médicos obtidos no exterior. Segundo o MPTO, a universidade ignorou a proibição federal e continuou a realizar revalidações em larga escala por meio de um sistema interno que já não possuía validade jurídica.

A investigação aponta ainda uma desproporção alarmante entre a capacidade operacional da universidade e o volume de revalidações concedidas. Conforme as normas do Ministério da Educação (MEC), uma instituição só pode revalidar diplomas na mesma proporção de vagas ofertadas em seu curso de graduação, que no caso da UnirG é de 240 vagas anuais. No entanto, apenas no ano de 2025, a instituição teria revalidado pelo menos 1.040 diplomas, superando em mais de 800 profissionais o limite permitido. Além disso, a UnirG não possuiria a competência técnica exigida para atuar como revalidadora, pois seu curso de Medicina apresenta um Conceito Preliminar de Curso (CPC) nota 1, enquanto a lei exige nota igual ou superior a 3.

Outras irregularidades graves listadas na ação incluem a terceirização de etapas essenciais do processo, como a triagem de documentos e a emissão de pareceres técnicos, para uma empresa privada — tarefas que deveriam ser executadas exclusivamente pela universidade pública. O MPTO também ressaltou a falta de transparência, apontando a ausência de editais públicos e o recebimento de pedidos via e-mail, sem a devida tramitação pela Plataforma Carolina Bori, sistema oficial do governo federal para o acompanhamento desses processos. Diante da gravidade dos fatos, o juiz Nassib Cleto Mamud concedeu um prazo de 20 dias para que a UnirG apresente sua defesa antes de decidir sobre o pedido de liminar.

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Esquema Criminoso de CNHs no Tocantins: MPTO Denuncia 40 Envolvidos em Fraude de Alcance Nacional

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) apresentou denúncia contra uma organização criminosa acusada de fraudar todas as etapas de emissão e renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) no estado. O esquema, que contava com a participação de servidores públicos e profissionais de saúde, permitia que condutores de diversas regiões do país obtivessem o documento sem realizar os exames obrigatórios, comprometendo a segurança viária e a fé pública.

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Investigação revela rede de corrupção com servidores, médicos e empresários que operava em Ciretrans do estado, emitindo habilitações sem exames presenciais.

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) apresentou denúncia abrangente contra uma organização criminosa que fraudava todas as etapas de emissão e renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) no estado. O esquema, que contava com a conivência de servidores públicos e profissionais de saúde, permitia que condutores de diversas regiões do Brasil obtivessem o documento sem realizar exames obrigatórios, comprometendo gravemente a segurança viária e a fé pública.

A denúncia, protocolada pela 1ª Promotoria de Justiça de Augustinópolis, é resultado de investigações conduzidas pelas delegacias especializadas de Palmas (DERFRVA) e Araguaína (DEIC). Com mais de 60 páginas, a peça acusatória detalha como o grupo se estruturava de forma articulada em quatro núcleos específicos: servidores vinculados às Ciretrans, profissionais de saúde credenciados, o setor de formação, composto por autoescolas e examinadores, e um núcleo de gestão responsável pela coordenação operacional. Ao todo, 40 pessoas foram acusadas de crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica e inserção de dados falsos em sistemas de informação.

O esquema operava de forma contínua em municípios como Augustinópolis, Araguatins e Araguaína, mas suas ramificações alcançavam candidatos residentes em estados distantes, como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Rondônia. Para viabilizar as fraudes, os envolvidos utilizavam técnicas sofisticadas, como o registro de “foto da foto” para enganar sistemas de reconhecimento facial e a manipulação de dados biométricos. Em diversos episódios, servidores do Detran-TO inseriam suas próprias impressões digitais nos prontuários para simular a presença física de candidatos que sequer estavam no território tocantinense durante o processo.

Além da manipulação digital, a investigação apontou que clínicas médicas e psicológicas emitiam laudos de aptidão falsos sem realizar avaliações, enquanto autoescolas registravam aulas teóricas e práticas que jamais ocorreram, utilizando digitais de instrutores para validar o sistema. Examinadores também são acusados de lançar aprovações em testes práticos sem a realização efetiva dos exames.

Diante da gravidade das evidências, o MPTO solicitou à Justiça a perda do cargo público de seis servidores e o envio de notificações aos conselhos de Medicina e Psicologia para a abertura de processos ético-disciplinares contra os profissionais de saúde envolvidos.

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Justiça e cidadania: Araguaína e Gurupi recebem mutirão da Defensoria Pública nesta sexta-feira

No próximo dia 29 de maio, as cidades de Araguaína e Gurupi serão palco de uma ampla mobilização voltada à garantia de direitos e ao fortalecimento da cidadania. A Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE-TO) realiza mais uma edição do projeto “Defensores na Comunidade”, oferecendo, além do suporte jurídico gratuito, uma série de serviços essenciais que abrangem desde cuidados com a saúde até a regularização de documentos pessoais
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Projeto “Defensores na Comunidade” mobiliza rede de parceiros para oferecer assistência jurídica integral, exames de saúde e emissão de documentos em um dia dedicado ao atendimento gratuito da população.

A iniciativa, que integra as celebrações do mês da Defensoria Pública, busca aproximar a Instituição da sociedade, facilitando o acesso a serviços que muitas vezes são de difícil alcance para a população mais vulnerável. Em Araguaína, os atendimentos ocorrerão ininterruptamente das 8h às 16h, na sede da Instituição. Já em Gurupi, a programação será dividida em dois turnos: das 8h às 12h e das 14h às 17h.

O leque de serviços é diversificado e conta com o apoio de diversos órgãos parceiros. Em Araguaína, os cidadãos poderão emitir a Carteira de Identidade Nacional (CIN), realizar exames de DNA pelo projeto “Pai Presente”, receber atendimentos odontológicos e orientações sobre o CadÚnico e IPTU. Em Gurupi, a rede de apoio oferecerá desde o cadastro para vagas de emprego via Sine até orientações da Patrulha Maria da Penha, além de serviços eleitorais e atualização vacinal.

No âmbito jurídico, o mutirão contará com a presença de defensores públicos, analistas e servidores prontos para sanar dúvidas e dar encaminhamento a demandas legais. Para garantir a agilidade no atendimento, a recomendação é que os interessados compareçam portando documentos pessoais, comprovante de residência, comprovante de renda e toda a documentação que possuam relacionada ao problema jurídico que desejam resolver.

O projeto “Defensores na Comunidade” teve sua origem em 2019, inicialmente na capital, e consolidou-se como uma ferramenta vital de inclusão social. Ao realizar esta edição no mês de maio, data em que se comemora o Dia Nacional da Defensoria Pública, a Instituição reafirma seu compromisso constitucional de prestar assistência jurídica gratuita e integral àqueles que mais precisam, promovendo dignidade e justiça em todo o Tocantins.

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