Saúde

VSR provoca surto de Síndrome Respiratória Aguda Grave em bebês brasileiros

O Brasil enfrenta um crescimento alarmante de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) entre crianças de até dois anos, impulsionado predominantemente pelo vírus sincicial respiratório (VSR). Com o Hemisfério Sul entrando no período de maior circulação viral, as autoridades de saúde emitem alertas para o avanço da bronquiolite e da Influenza A, que já impactam severamente o sistema de saúde em diversas regiões do país.

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Foto: Divulgação

Boletim da Fiocruz aponta dez estados em situação de alto risco, enquanto a vacinação de gestantes e grupos prioritários surge como principal defesa contra o avanço das infecções.

De acordo com o mais recente Boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o cenário epidemiológico atual revela que o VSR foi responsável por 41,5% dos diagnósticos virais de SRAG nas últimas quatro semanas. Esse vírus atua como o principal agente causador da bronquiolite, uma inflamação pulmonar que atinge especialmente recém-nascidos e bebês pequenos. Enquanto a incidência de casos se mantém estável nas demais faixas etárias, a pressão sobre as unidades pediátricas cresce em todo o território nacional.

A gravidade da situação levou todas as unidades federativas a um estado de alerta. Atualmente, dez estados estão classificados em situação de alto risco: Acre, Amazonas, Pará, Tocantins, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraíba. Além disso, 14 estados apresentam uma tendência de aumento contínuo para as próximas semanas, incluindo grandes centros como São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Paralelamente ao avanço do VSR entre as crianças, a Influenza A também registra uma elevação significativa, sendo associada a 51,7% das mortes por SRAG no último mês, atingindo majoritariamente a população idosa.

As estatísticas consolidadas de 2026 mostram que o Brasil já registrou 57.585 casos de SRAG, dos quais 45,7% tiveram confirmação laboratorial para vírus respiratórios. Embora o rinovírus tenha sido o mais frequente ao longo do ano (36,1%), a letalidade da Influenza A e da COVID-19 preocupa, respondendo por 39,6% e 26% dos óbitos virais confirmados, respectivamente. O VSR, apesar de ter um índice de mortalidade menor (6,4%), é o grande vilão das hospitalizações infantis neste período de sazonalidade indicado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Especialistas reforçam que a imunização é a ferramenta mais eficaz para conter o agravamento desses quadros. Tatiana Portella, pesquisadora da Fiocruz, destaca que a vacinação contra a gripe, disponível pelo SUS para grupos prioritários, protege contra a Influenza A e reduz drasticamente o risco de complicações. Para combater o VSR, o sistema público de saúde oferece vacinação para gestantes a partir da 28ª semana, garantindo a transferência de anticorpos para o bebê. Adicionalmente, bebês prematuros de alto risco podem receber o anticorpo monoclonal, um medicamento que fornece proteção imediata contra as complicações do vírus sincicial.

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