Política

A Dança das Cadeiras em Tocantins: Como os Padrinhos Políticos Moldam as Chapas para a Câmara Federal

A corrida pelas oito cadeiras de Tocantins na Câmara dos Deputados começa com um cenário atípico de renovação compulsória. Com a decisão de cinco dos atuais parlamentares de não buscar a reeleição, o tabuleiro político tocantinense se reconfigura, atraindo ex-governadores, ex-prefeitos e novos nomes que contam com o apoio estratégico de figuras nacionais e regionais de peso. Essa ausência de mandatos consolidados reduz barreiras históricas para novos concorrentes, que antes precisavam enfrentar estruturas de deputados com quatro anos de mandato, e impulsiona uma acirrada disputa matemática entre as principais coalizões do estado.

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Foto: Divulgação

Com uma renovação garantida de mais de 60% da bancada, grandes caciques políticos, de Wanderlei Barbosa ao presidente Lula, jogam suas cartas para dominar as oito vagas do estado em Brasília

Para compreender o tamanho do espaço aberto, basta olhar os números: pelo menos 62,5% dos assentos federais tocantinenses terão novos donos a partir de 2027. Apenas os deputados Ricardo Ayres (Republicanos), Filipe Martins (PL) e Tiago Dimas (Podemos) disputam a reeleição, deixando o caminho livre de emendas e redes políticas consolidadas em cinco das oito vagas. Diante disso, siglas tradicionais e a federação União Brasil/PP alinham suas forças para conquistar o máximo de representação possível.

No Republicanos, o governador e presidente estadual da sigla, Wanderlei Barbosa, lidera o xadrez político com a ambição de eleger até três deputados federais. O grupo conta com a reeleição de Ricardo Ayres, que desponta com a vantagem das emendas parlamentares e diálogo próximo com o governo federal. Para somar forças, a legenda aposta em Fábio Vaz, ex-secretário estadual da Educação e aliado direto do governador, no vereador de Araguaína Lucas Campelo, em Alfredo Júnior e na Enfermeira Sol, que obteve mais de dez mil votos no pleito anterior.

O PL, sob a liderança do senador e presidente estadual Eduardo Gomes, projeta garantir pelo menos duas cadeiras na Câmara. O principal puxador de votos da chapa é Filipe Martins, que busca a reeleição amparado pela Assembleia de Deus Madureira e pelo eleitorado conservador. A chapa se completa com Maurício Buffon, ex-presidente da Aprosoja e ligado ao agronegócio, e com o recall eleitoral de Professora Elizabeth, que teve votação expressiva em pleitos passados. O partido calcula que o desempenho geral dos candidatos de menor expressão será fundamental para atingir o quociente eleitoral necessário.

Já o Podemos entra na disputa sob a batuta de Eduardo Siqueira Campos, prefeito de Palmas. A chapa apoia Sandoval Cardoso, ex-governador que tenta retornar ao cenário político após um período sem mandato, e o deputado federal Tiago Dimas, que tem base consolidada em Araguaína e usufrui da estrutura parlamentar mesmo tendo assumido a cadeira tardiamente devido a decisões judiciais de retotalização. O desafio do Podemos será testar a capacidade do prefeito da capital de transferir votos para o interior do estado.

Pelo PSDB, o partido integra o bloco oposicionista e foca em eleger até duas cadeiras. O principal trio de candidatos reúne Osires Damaso, experiente ex-deputado estadual e federal; Cinthia Ribeiro, ex-prefeita de Palmas com forte apelo popular na capital; e o estreante Iratã Abreu. Iratã será o único membro da influente família Abreu nas urnas, uma vez que o senador Irajá Abreu desistiu de concorrer à reeleição e a ex-senadora Kátia Abreu assumiu a coordenação da campanha de Lula no estado.

O Partido dos Trabalhadores (PT) busca recuperar espaço no Tocantins após não eleger nenhum deputado estadual ou federal na eleição passada. Sem Paulo Mourão na disputa proporcional — já que ele se lançou como candidato ao Senado —, a legenda aposta no ex-prefeito de Dianópolis, José Salomão, forte liderança na região sudeste, e na experiência de Célio Moura, ex-deputado federal. O maior cabo eleitoral do partido é o presidente Lula, embora a legenda enfrente o desafio histórico de converter o voto presidencial em votos proporcionais diretos.

Por fim, a federação formada por União Brasil e PP, que tem a senadora Dorinha Seabra como principal liderança, apresenta uma chapa competitiva encabeçada pelos deputados estaduais Jair Farias e Janad Valcari. Com potencial para brigar por até três cadeiras, o grupo conta com Luana Nunes, herdeira política da prefeita de Gurupi, Josi Nunes, e com o Coronel Barbosa, ex-comandante-geral da Polícia Militar. Barbosa, além de trânsito entre lideranças da direita nacional, ganha exposição extra por ser sogro do cantor sertanejo Henrique, da dupla Henrique & Juliano.

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