Com a instalação de 150 estações disseminadoras desenvolvidas pela Fiocruz, o município espalha larvicida em criadouros de difícil acesso e intensifica o combate às arboviroses
A Prefeitura de Gurupi, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semus), iniciou a implementação de uma nova metodologia tecnológica no combate ao vetor: as Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs). Recomendada e financiada pelo Governo Federal, a inovação foi concebida pelo Ministério da Saúde em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e contará com 150 dispositivos instalados pelo município para reforçar o controle das doenças transmitidas pelo inseto.
O funcionamento da estrutura baseia-se em um mecanismo biológico inteligente, no qual a própria fêmea do mosquito passa a combater a própria espécie. Atraído pela armadilha, o inseto pousa sobre uma tela revestida com o produto químico pyriproxyfen, impregnando pequenas partículas do larvicida em seu corpo. Ao procurar novos depósitos de água para a desova, o mosquito transporta o princípio ativo e contamina esses recipientes, impedindo que os ovos eclodam e que as larvas cheguem à fase adulta.
De acordo com o Agente de Combate às Endemias Danilo Donato, a grande vantagem das EDLs é atingir focos de difícil alcance humano. O profissional explica que o mosquito fêmea consegue conduzir o larvicida até criadouros remotos ou elevados, como calhas de telhados e locais onde as equipes de campo não conseguem ter acesso a pé para realizar a retirada manual da água.
As 150 unidades não serão distribuídas em residências comuns, concentrando-se nos chamados Pontos Estratégicos (P.E.). O mapeamento abrange locais com histórico de grande acúmulo de recipientes e risco de água parada, a exemplo de borracharias, ferros-velhos, cemitérios e hortas. A eficácia do trabalho será assegurada por manutenções preventivas realizadas pelas equipes de endemias a cada 30 dias, período em que é feita a substituição completa das telas tratadas.
A implantação das EDLs funciona de maneira integrada com as demais ações de vigilância sanitária já executadas pela Semus. Enquanto as novas estações atuam bloqueando o nascimento de mosquitos nas áreas comerciais e de risco crítico, o monitoramento nos bairros e residências segue mantido por meio das ovitrampas, armadilhas contínuas voltadas à coleta e contagem de ovos.
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