Suspeitas de Fraude em Contratos de Cestas Básicas durante a Pandemia Levam ao Afastamento de Wanderlei Barbosa
A Polícia Federal deflagrou uma operação de grande escala nesta quarta-feira, 3, com o objetivo de aprofundar a investigação sobre um esquema de corrupção que teria desviado milhões de reais do governo do Tocantins. Wanderlei Barbosa, que assumiu o governo em 2022, é um dos principais alvos da ação, que culminou em seu afastamento imediato do cargo.
As investigações, conduzidas pelo STJ, apontam que entre os anos de 2020 e 2021, o governo estadual teria se aproveitado do estado de emergência sanitária para fraudar contratos de fornecimento de cestas básicas e frangos congelados. As apurações indicam que foram pagos mais de R$ 97 milhões, mas o valor de fato entregue teria sido muito menor, gerando um prejuízo estimado de R$ 73 milhões. A Operação Fames-19 cumpre 51 mandados de busca e apreensão no Tocantins, no Distrito Federal, no Maranhão e na Paraíba.
A PF está atuando em locais estratégicos, incluindo a sede do Governo do Estado e a Assembleia Legislativa em Palmas. A ação conta com a participação de mais de 200 agentes federais. Além do governador, a primeira-dama, empresários e outros políticos também são investigados. Segundo a polícia, os valores desviados foram supostamente usados para a compra de bens de luxo, como gado e imóveis, além de despesas pessoais dos envolvidos, em uma tentativa de ocultar a origem ilícita do dinheiro.
Esta é a segunda fase da Operação Fames-19. Na primeira etapa, realizada em agosto do ano passado, 42 mandados de busca e apreensão foram cumpridos para investigar as empresas que teriam recebido contratos integrais, mas entregue apenas uma fração dos produtos. O afastamento de Wanderlei Barbosa abre espaço para que o vice-governador, Laurez Moreira (PSD), assuma o governo interinamente. A assessoria do governador não se manifestou publicamente sobre as acusações. O caso reforça a continuidade das investigações sobre a gestão de recursos públicos durante a pandemia no Tocantins, que já teve o ex-governador Mauro Carlesse investigado e preso.