Forças de segurança intensificam repressão e somam quase duas toneladas de drogas retiradas de circulação em apenas um mês
O mês de fevereiro consolidou o Tocantins como um campo de batalha crucial no combate ao narcotráfico. Dados levantados pelo Jornal Primeira Página indicam que as operações policiais resultaram na apreensão de mais de 1,7 tonelada de substâncias ilícitas, incluindo cocaína, pasta base, maconha e haxixe. A magnitude das operações reflete não apenas a eficiência das forças de segurança, mas também a ousadia das organizações criminosas que utilizam o território tocantinense para escoar drogas vindas de países vizinhos, como a Bolívia.
Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu na zona rural de Dueré, no sul do estado. Após a interceptação de uma aeronave vinda do exterior com modificações para o transporte de carga, os agentes localizaram cerca de 500 quilos de cloridrato de cocaína enterrados em uma propriedade. A ação, coordenada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) com suporte da PMTO, resultou na prisão preventiva do piloto e expôs a sofisticação do transporte aéreo clandestino.
Paralelamente, a Operação Entre Rios, concentrada no sudeste do estado, desarticulou uma base de apoio logística entre Paranã e São Salvador. O saldo foi a apreensão de mais meia tonelada de pasta base de cocaína, sete armas de fogo, uma caminhonete e uma aeronave modelo Baron. O confronto durante as diligências foi intenso, resultando na morte de sete suspeitos e na mobilização de 80 policiais. O uso de tecnologia de ponta, como drones com sensores térmicos, foi determinante para localizar os criminosos escondidos na vegetação densa.
O cerco também se estendeu às malhas rodoviárias. Em Araguaína, na BR-153, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) efetuou flagrantes significativos, como a interceptação de um caminhão que transportava mais de 600 kg de maconha e quase 90 kg de pasta base. Outras abordagens na região e na rodovia TO-080 reforçaram a vigilância sobre os motoristas que tentam cruzar o estado com carregamentos destinados a centros urbanos como Gurupi e capitais do Nordeste.
A inteligência policial aponta que o Tocantins é utilizado como um “corredor estratégico” devido à sua posição geográfica. A presença de pistas de pouso clandestinas e depósitos de combustível ocultos indica uma estrutura profissionalizada para a redistribuição de cargas internacionais. Segundo as autoridades, o fortalecimento da integração entre os órgãos estaduais e federais é a principal ferramenta para asfixiar financeiramente as facções e garantir a segurança nas fronteiras internas do país.