Entre homenagens e luto simbólico, eventos em Gurupi e Palmas reforçam a urgência de políticas públicas eficazes contra o feminicídio e a ampliação da representatividade feminina nos espaços de poder.
O Eco do Silêncio em Gurupi
No final da tarde desta quarta-feira (11), o cenário do Parque Mutuca, em Gurupi, foi transformado por um manifesto visual impactante. O movimento “Vozes que Não se Calam”, uma parceria entre a Prefeitura Municipal e o Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO), fixou 17 cruzes no gramado, cada uma representando uma vítima de feminicídio na região Sul do estado nos últimos anos.
Foto: Divulgação
O ato, inserido na programação da Semana da Paz em Casa, buscou despertar a consciência coletiva através do luto e da memória. Velas foram acesas e balões brancos ganharam o céu, simbolizando a esperança de um futuro sem medo. A secretária municipal da Mulher e Cidadania, Cristina Donato, enfatizou que o momento exige mais do que lamentação: “Precisamos agir, denunciar e fortalecer a rede de proteção. Não basta chorar pelas que se foram; é preciso mudar a realidade das que ficam”.
O juiz Jossanner Nery Nogueira Luna reiterou a gravidade dos dados, pontuando que o Judiciário trabalha intensamente pela meta de “feminicídio zero”, focando na prevenção e na punição rigorosa. A cerimônia reuniu cúpulas da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Ministério Público e OAB, selando um pacto institucional pela vida das mulheres gurupienses.
Já na manhã de quinta-feira (12), o foco deslocou-se para a Câmara Municipal de Palmas (CMP). Em uma sessão solene marcada pela entrega de honrarias, o tom das autoridades variou entre o reconhecimento da força feminina e a urgência de medidas legislativas.
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A secretária estadual da Mulher, Berenice Castro, apresentou um balanço dos dois anos da pasta, citando a entrega da Casa da Mulher Tocantinense em Gurupi como um marco. No entanto, o alerta foi incisivo: a subida do estado da 9ª para a 4ª posição nacional em feminicídios exige um enfrentamento “de frente” e a união de toda a sociedade.
A deputada estadual Janad Valcari, representando a Assembleia Legislativa, conectou a segurança à representatividade. Para ela, a presença feminina na política é fundamental para a criação de leis mais rígidas. “Nós podemos ser mais e fazer a diferença”, conclamou a parlamentar, encorajando mulheres a ocuparem cargos de decisão.
A jornalista Chayla Félix, ao aceitar o convite para a Secretaria Municipal da Mulher, trouxe a perspectiva da maternidade e do cotidiano, defendendo que uma cidade segura para mulheres é, por consequência, uma cidade melhor para todos os cidadãos. Vereadoras como Thamires (Coletivo Somos) e Karina Café reforçaram que a luta deve ser constante, lembrando que Palmas já iniciou o ano sob a sombra de novos crimes.
A sessão foi encerrada com a entrega de títulos a mulheres que se destacam em diversas frentes da sociedade palmense, reafirmando que, embora o caminho para a igualdade e segurança ainda seja longo, a rede de proteção e a voz feminina no Tocantins estão mais articuladas do que nunca.